domingo, 23 de abril de 2017

PROVAÇÕES, TENTAÇÕES E O TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO

Por João S. de O. Jr

Uma das queixas mais comuns entre aqueles que se propõem a ler o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem e a se consagrarem a Ela pelo método de São Luís de Montfort seria quanto às provações e às tentações. Essas, "do nada" surgem para impedir os fiéis devotos de irem adiante no estudo e na vivência da Verdadeira Devoção. Entretanto, devemos estranhar essa realidade? Recordemos: "Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação." (Eclesiástico 2,1).

Já é bem conhecida a profecia presente no número 114 do Tratado:

São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716)
"Vejo, no futuro, animais frementes, que se precipitam furiosos para dilacerar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que ele não apareça. (...)". [1]

Certeiro! Como sabido, o manuscrito só foi encontrado em 1842. Ou seja, mais de cem anos após a morte do santo.

Porém, atenção para o que nos é mais importante! Continua São Luís ainda no número 114 de seu livro:

"(...) Atacarão até, e perseguirão aqueles e aquelas que o lerem e o puserem em prática. Mas não importa! Tanto melhor! Esta visão me encoraja e me dá a esperança de um grande sucesso, isto é, um esquadrão de bravos e destemidos soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que virão, e como ainda não houve." [2]

São João Maria Vianney (1786-1859)
Podemos fazer disso uma relação com o que são João Maria Vianney exortava em um dos seus famosos sermões: "Cuidado se você não sofre tentações!" [3]. E ensinava que o Demônio não perde tempo com quem já estaria sob a vontade dele, e sim trabalha para desviar aqueles que estão no caminho de Deus. Continuando, São João Vianney narra que se deram terríveis tentações nas vidas de Santo Agostinho e São Jerônimo quando estes santos decidiram se entregar totalmente a Jesus Cristo, pois o Maligno, prevendo que muitos seriam influenciados por eles, encheu-se de fúria e desespero.

Por outro lado, o próprio Cura D'Ars diz também que: "As tentações são necessárias para que possamos perceber que não somos nada por nós mesmos" [4] e que Deus "permite que o Demônio se aproxime um pouquinho mais de nós". Por quê? Para "nos conhecermos", ou melhor, "para reconhecermos que não somos absolutamente nada".

Meus irmãos, vejamos a conexão com o que São Luís menciona sobre a Verdadeira Devoção: essa nos leva ao "aniquilamento do próprio eu" (T.V.D. n. 82); para bem vivê-la é necessário "despojarmos de nós mesmos" (T.V.D. n. 81). Afinal, nós nos confiaremos melhor à Medianeira de Todas as Graças quanto mais nos conhecermos e vermos o quão miseráveis somos. Isso justifica a semana para conhecimento de si nos exercícios preparatórios.

Distinguindo provações de tentações:

Não devemos desistir perante as provações, que são dificuldades tempestivas neste vale de lágrimas que é esta vida. Elas são permitidas pela providência divina, e, uma vez suportando-as, crescemos na Virtude e na Fé (CIC §1808; §2847). Muitas provações e sofrimentos são até necessários para aumentarmos o valor meritório de nossos bons atos, desde que esses sofrimentos sejam oferecidos por amor a Deus. A exemplo: no colóquio da primeira aparição da Virgem aos três pastorinhos em Fátima, Portugal, em 13 de maio de 1917, Ela os indagou:

Os três pastorinhos de Fátimas
passaram por grandes sofrimentos
por Nossa Senhora
“(...) Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?” Tendo Lúcia respondido “sim”, Nossa Senhora continuou: “Ide, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.”[5].

Por tudo isso, aqueles que começarem devem persistir na leitura do Tratado, no conhecimento da Verdadeira Devoção e nos exercícios da Consagração, ainda que titubeantes sob as mais severas tribulações e sofrimentos.

Quanto às tentações: são comumente ciladas diretas do "Pai da Mentira" (CIC §538-540; §566) para perdermos a Vida da Graça ou muitas vezes são consequentes da debilidade de nossa natureza ferida pelo Pecado Original. Entretanto, também só acontecem pela permissão de Deus, que não nos deixa sermos tentados para além de nossas forças (1Coríntios 10,13), no desígnio de crescermos ou mesmo nos humilharmos. Para vencê-las, é necessário "fugir das ocasiões de pecado" - nos exorta Santo Afonso de Ligório [6] - como um dos mais graves deveres da vida espiritual. Uma questão é ter tentações, e todos nós sempre as teremos; outra é consentir nelas, e aí estaria o pecado (Catecismo de S. Pio X, 312-315). E se desgraçadamente viermos a cair, que nos prostremos em sincero arrependimento perante o Altíssimo, como o salmista [7]. Além disso, busquemos recuperar e nutrir a vida da graça com os sacramentos da Igreja.

Complementando e concluindo:

Detalhe da Catedral de Notre Dame
Nossa Senhora derrota Satanás
Em certa medida, não tenhamos medo do Demônio porque ele é que "teme a alma unida a Deus como ao próprio Deus" [8], já dizia São João da Cruz. E com isso compreenderemos melhor o número 52 do Tratado de São Luís: "(...) Deus concedeu a Maria tão grande poder sobre os demônios, que, como muitas vezes se viram obrigados a confessar, pela boca dos possessos, infunde-lhes mais temor um só de seus suspiros por uma alma, que as orações de todos os santos; e uma só de suas ameaças que todos os outros tormentos."[9]. E esse santo, por sua vez, enxergou não apenas a fúria do Diabo contra quem lesse e pusesse em prática o Tratado da Verdadeira Devoção, mas sobretudo viu o quão benéficos seriam os ensinamentos sobre a Virgem Santíssima a formar grandes santos (T.V.D. n. 43 e 47).

Ademais, percebamos: nessas questões de tentações e provações, nada poderemos sem a Graça divina. Este é mais um motivo para fazermos uma entrega total (santa escravidão) à Virgem Santíssima, a mais agraciada e humilde das criaturas, cuja descendência esmagou a cabeça da Antiga Serpente infernal (Gên. 3,15).

MARIA SEMPRE!

Referências:

[1] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Página 114;

[2] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Páginas 114-115;

[3] - Vianney, São João Maria. Sermões do Cura Dars - parte I. Disponível em http://www.sendarium.com/2014/06/sermoes-do-cura-dars-i.html. Acesso em 10/04/2017.

[4] - Ibidem;

[5] Machado, Antônio Augusto Borelli. As aparições e a mensagem de FÁTIMA conforme os manuscritos da Irmã Lúcia, 39ª edição. São Paulo: Artpress, 1995. Página 40.

[6] - Ligório, Santo Afonso Maria de. Escola da Perfeição Cristã, Compilação de textos do Santo Doutor pelo Padre Saint-Omer, CSSR. 4ª edição. Rio de Janeiro: Vozes, 1955. Páginas 44-48. Disponível em:http://www.lepanto.com.br/catolicismo/leitura-espiritual/fuga-das-ocasioes-de-pecado-um-dos-mais-graves-deveres-da-vida-espiritual/. Acesso em 11/04/2017

[7] - BÍBLIA. A.T. Salmos (51/50). In: BÍBLIA. Português. Bíblia de Jerusalém. Tradução de Paulo Bazaglia et al. 1ª edição. 12ª reimpressão. São Paulo: Paulus, 2015. Página 915;

[8] - Frases de Santos. Disponível em https://frasesdesantos.wordpress.com/category/sao-joao-da-cruz/. . Acesso em 13/04/2017;

[9] - Montfort, São Luís Maria Grignion de. T.V.D.: Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, 44ª edição, Rio de Janeiro: Vozes, 2014. Página 57.

terça-feira, 11 de abril de 2017

PAIXÃO: CRUZ, TRAIÇÃO, REDENÇÃO

O Beijo de Judas. Por Giotto di Bondone.
Prof. Helmer Ézion

Semana Santa! Momento que requer de nós cristãos mais piedade e zelo para com a causa de Nosso Senhor que é a nossa própria salvação. Momento em que a Cruz (em variadas denotações e conotações) se faz mais pungente!

No cenário atual do mundo, a exigência e o peso da cruz, talvez, sejam ainda maiores. A moral católica é devastada, denegrida e atacada por todos os lados. Inimigos da Cristandade avançam cada vez mais nos seus propósitos, impondo sobre nós leis absurdas baseadas em ideologias péssimas e contraditórias. Deste cenário já nos alertava o então Cardeal Ratzinger:“Ter uma fé clara, segundo o Credo da Igreja, é frequentemente catalogado como fundamentalismo, ao passo que o relativismo, isto é, o deixar-se levar ao sabor de qualquer vento de doutrina, aparece como a única atitude à altura dos tempos atuais. Vai-se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que usa como critério último apenas o próprio 'eu' e os seus apetites.”[1]

Ora, aquele que  sucumbe à ditadura do relativismo faz tal qual os Judeus tentando justificar porque queriam a crucificação de Cristo: “Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”[2] Cientes de tudo isso, resta perguntarmo-nos qual a nossa posição: será que faremos tal qual a multidão que gritava "crucifica-o!"[3]e como Pilatos que lavou as suas mãos?[4] Ou carregaremos a cruz como fez Simão Cireneu[5] e subiremos ao Calvário com coragem como Nossa Senhora e o Apóstolo João?[6]Enfim, muitas são as reflexões que podemos fazer acerca de nós mesmos em relação à paixão de Nosso Senhor. As respostas para estes questionamentos nos elucidarão a autenticidade da nossa vivência cristã. 

Há algum tempo, o Papa nos apresentou a seguinte questão: "Sou como Judas, capaz de trair Jesus, ou sou como os discípulos que não entendem nada, que dormiam enquanto que o Senhor sofria? Minha vida está adormecida?”[7]Esta pergunta abre um leque de considerações a serem feitas, afinal, em que consiste exatamente a traição? Qual é a medida da ignorância? A figura de Judas Iscariotes ainda é bastante emblemática, meditar sob ela à luz da tradição, em relação as nossas vidas, pode ser muito proveitoso para nossa santificação. 

Bem, é importante lembrarmo-nos do que disse Nosso Senhor Jesus Cristo aos seus apóstolos, inclusive a Judas: "Se guardares os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no seu amor." Portanto, "já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; Mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer. Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça (...)."[8] Judas era escolhido e querido por Cristo, sendo assim, um privilegiado. Certamente, no princípio ele correspondeu a tão belo chamado e rendeu alguns frutos. Aliás, todo e qualquer autêntico cristão recebe alto privilégio, pois, existe dádiva maior do que a de ser reconhecido como filho de Deus a partir do batismo? Desta forma, somos todos chamados a dar testemunho do evangelho, cada um de acordo com sua condição. A potencialidade de Judas Iscariotes era imensurável, afinal ele era apóstolo e convivia diretamente com Nosso Senhor. 

No entanto, alguns chegam a supor absurdamente que Judas foi escolhido para ser o traidor, afinal Jesus sabia a malícia que Judas carregava consigo.[9]Grande falácia! De fato Jesus sabe de todas as coisas e sabia da traição que em sua liberdade, Judas viria a cometer. Mas Judas, assim como todos os apóstolos fora tocado pela misericórdia de Cristo e demonstrava grande disposição em servir Nosso Senhor. Era, portanto, um verdadeiro amigo de Cristo e junto a ele também operou prodígios. Como, então, alguém que vive na companhia constante e real do Amor humanado, encontra razões e ocasiões para cometer tamanha perversidade de traí-lo? 

Judas cedeu às investidas demoníacas
Não é possível que tamanho ato de iniquidade tenha sido espontâneo. Ou seja, Judas não resolveu trair repentinamente, muito menos estando ele na companhia constante de Jesus. A situação de apóstolo não o dispensou da necessidade de vigilância e prudência, pois Jesus nos fornece todas as graças necessárias para vivermos em comunhão com Ele, mas é preciso uma disposição pessoal em conformidade com esta graça. Isto significa que Judas teria vacilado aqui e ali em momentos de prova. Estando ele em tão alta posição, era de se esperar também grandes provações e tentações.[10]
Por misericórdia, Deus nos prova a fim de nos santificar (nunca para além de nossas forças) e até mesmo permite que o demônio (alimentado pelo seu ódio) nos tente. Mas, Deus não quer que pereçamos, e sim,  que auxiliados por Sua graça, vençamos, com Ele, o pecado. Portanto, Judas distanciava-se de Cristo, mesmo estando na presença dEle, na medida em que ia permitindo a ação do demônio.[11]Claro que ele não permitia deliberadamente, mas ao passo em que voltava-se para o seu ego e suas vaidades, ia, por mais disparate que isso pareça, se esquecendo de Deus e tolerando uma "sugestão demoníaca", até cair em uma possessão. 

Judas, com seu beijo, traiu Aquele que lhe chamava de amigo! [12]– Cristo ainda o chamava assim porque ainda o amava e o queria com Ele, e era ainda possível o arrependimento – Obstinado em sua malícia, executou o seu perverso ato! É justo que reprovemos, rechacemos e repudiemos a traição de Judas. Mas, é preciso que pensemos se não estamos sendo hipócritas... 

"Bom seria para o tal homem não haver nascido"
Quantas vezes deixamos de prestar culto a Deus por causa de nossa tibieza? Deixamos de rezar um dia, faltamos à missa em outro, questionamos a doutrina em um ponto, não nos esforçamos em evitar os pecados (ainda que veniais)... As ocasiões mínimas que vão abrindo brechas para o demônio são incontáveis. Se não nos atentarmos no básico mais cedo ou mais tarde cairemos em coisas mais graves, a apostasia, por exemplo, que corresponde totalmente a uma traição. Ou seja, de certa perspectiva, somos traidores sempre que consentimos com a ditadura do relativismo e os pecados, tão presentes no mundo. Ao pensar isso, não devemos nos desesperar como fez Judas. Mas, ter a consciência da nossa mazela (até mesmo da nossa vulnerabilidade diante das provações) já é um sinal da misericórdia de Deus. É o mesmo que Cristo nos chamando de amigo no momento de fraqueza. 

Portanto, devemos nos lembrar que a Redenção de Jesus na cruz é extensiva a todos, por mais iníquos que possamos ser. Porque Cristo, ao derramar seu sangue quis salvar a todos. Porém, cabe a nós reconhecermos e nos arrependermos de nossos pecados, suplicando a Deus que, por intercessão de Nossa Senhora, possamos integrar nossos sofrimentos à cruz de Cristo. Pois, quanto mais somos tocados pela misericórdia do Senhor, tanto mais entramos em solidariedade com o seu sofrimento – tornamo-nos disponíveis para completar na nossa carne o que falta à Paixão de Cristo.[13]


MARIA SEMPRE! 


Referência bibliográfica: 
HOPHAN, Otto. Judas Iscariote. tradução de Roberto Vidal da Silva Martins, Ed. Quadrante, São Paulo, 1996, 56 páginas.

NOTAS:
[1] Texto da homilia do então Cardeal Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, pronunciada na Missa Pro Eligendo Pontífice, celebrada no dia 18 de abril de 2005. 
[2] Jo 19,7. 
[3] Jo19,6. 
[4] Mt 27,24 
[5] Mt 27:32 
[6] Mt 27,25-27 
[8] Jo 15:10-16 
[9] Jo 6, 70 
[10] Lc 12:48 
[11] Lc 22, 3 e Jo 13, 27 
[12] Mt 26:50 
[13] Col 1, 24 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

CARNAVAL: NOVA CRUCIFICAÇÃO


Por João S. de O. Jr 

A semana mal terminou e já se fala tanto no malfadado Carnaval, na mídia, nas ruas, nas músicas. Mas não é uma festa popular brasileira? Não, é uma festa pagã e em prol do paganismo. Não que esperaríamos coisa diferente do mundão, só que, "se calarmos, as pedras falarão". Infelizmente, é um tempo de pecados e ofensas contra Nosso Senhor, e o pior, sob aspecto de "normalidade" numa suposta "alegria" sem causa, tudo pela satifação da carne, como se nos outros dias já não sofressemos de natureza corrompida pelo Pecado Original. Não julgamos que todas as pessoas que vão para o carnaval, o façam por malícia conscientemente. Mas é inegavel o quão ofensivo para as almas é este tempo de embriagues coletiva. Pedimos que quem for fazer um Retiro Espiritual, não deixe de fazer ou ofertar uma oração em desagravo ao Nosso Senhor por tantos ultrajes e indiferenças dos homens. 



Tendo em vista que muitas pessoas - entre eles, vários cristãos - usam dos dias de carnaval como pretexto para darem vazão à prática de uma infinidade de pecados, achamos por bem publicarmos aqui uma pequena coletânea sobre este tempo nefasto, tirada de relatos e escritos da vida de santos e de pessoas piedosas. Intentamos assim levar os verdadeiros católicos a se dedicarem de maneira especial a nesses dias, reparar de alguma forma as ofensas cometidas contra Deus, que já está por demais ofendido pelos pecados do mundo. Que seja para nós o tempo do carnaval um período de oração e sacrifício. E que usemos todo o nosso tempo, ainda que dispendido em ocupações que não sejam propriamente a oração, em oferecermo-nos -juntamente com o que temos, somos e fazemos -, em reparação pela conversão dos pecadores.
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“Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me (Jesus), após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?” (Santa Margarida Maria Alacoque, Escritos Espirituais). 

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São Francisco de Sales dizia: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”. 

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São Vicente Ferrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”. 

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Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!" 

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Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações). 



São Pedro Claver e o carnaval 
Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas. 
— Padre, aonde vai com esse saco? 

— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança? 

O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. 

O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco. 

— E agora? – pergunta o oficial. 

— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval. 

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Santo Afonso Maria de Ligório e o carnaval 

“ Jesus Cristo, (...) especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas. 

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente. 

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas. 

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!” (Meditações).


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

INFORMATIVO SSVM

Apresentamos abaixo uma edição do "INFORMATIVO SSVM". Esta produção visa divulgar alguns dos diversos trabalhos e projetos de apostolado da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, e chamar atenção das pessoas para o bem que podemos fazer quando temos como fim último a salvação das almas e a Glória de Deus. Este "Informativo" é periodicamente enviado aos domicílios dos amigos e benfeitores. E é agora disponibilizado à todos neste espaço. Boa Leitura!
MARIA SEMPRE!
 



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

COMPÊNDIO "VINDE A MIM TODOS" (versão digital)


Neste dia 29 de dezembro, nascimento para o Céu da Ir. Josefa Menéndez, este blog disponibiliza gratuitamente para seus leitores o download do arquivo do Compêndio "Vinde a Mim Todos"- Resumo da obra "Apelo ao Amor" de autoria da referida religiosa.
"Apelo ao Amor" é o livro das revelações do Coração de Jesus à Irmã Josefa Menéndez, religiosa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus.Com aprovação eclesiástica de Pio XII, a obra é repleta de terníssimas mensagens do Coração de Cristo, convidando toda a humanidade a se entregar aos seus apelos de conversão e confiança na divina misericórdia.

A versão impressa ainda se encontra disponível, e caso queira adquirir basta entrar em contato conosco:
 catolicafidei@gmail.com.

MARIA SEMPRE!


domingo, 25 de dezembro de 2016

ENTRE JARDINS E GRUTAS SOMBRIAS


Por Prof. Pedro M. da Cruz

Um rei extraordinário em seu trono de marfim revestido de ouro fino,[i]cercado por milhares de cavaleiros, servido em taças do mais nobre metal! Um dominador supremo resguardado em seu palácio de cedro e cipreste maravilhosamente combinado com o mais límpido cristal! Banquetes, festas, cânticos ... Assim imaginavam - iludidos em sua ignorância e orgulho - muitos daqueles que aguardavam o “Rei dos Judeus”[ii]


Entretanto, quão impenetráveis são os juízos do Altíssimo e inexploráveis os Seus caminhos. Quem pode compreender os pensamentos de Deus?![iii] Indo à procura do Salvador, chamado, mesmo por anjos, “Senhor”[iv], o que encontraram os pastores? Maria, José e um menino deitado num cocho onde serviam comida aos animais[v]

Que Mistério desconcertante! Uma criança pobre, envolta em faixas numa gruta escura e suja, rodeada por animais, velada pelo olhar virginal da mãe - mas, que mãe!- e protegida pela virtude do pai – e, que pai! - tão justo e casto! “O mistério por seu próprio segredo desperta veneração.”[vi]

O filho eterno descera dos céus e deste não sentira saudades, pois sua Mãe, com sublimes encantos, compensava esplendores celestiais[vii]. Em Maria, aquela virgindade, pureza e graça sobrenaturais propagavam uma luz tão radiosa e imponderável, que somente Nosso Senhor era capaz de abarcá-la em sua totalidade. Ela era aos seus olhos, e numa medida só a Ele perceptível, seu amor, como também, seu jardim de delícias toda bela e graciosa[viii].

Temos ante os olhos duas realidades tão verdadeiras quanto paradoxais: uma exterior e natural, ao alcance de todo e qualquer observador; outra, por sua vez, interior e mística, da qual são capazes somente os que têm um coração dilatado pela graça. O olhar superficial pararia nas chamadas injustiças, mesquinharias, loucuras e fracassos de Belém. Todavia, aos olhares profundos e místicos, descortina-se imenso oceano de infinitas torrentes da sabedoria divina. Ali se encontram esplendor, grandeza e glória: realidades espirituais secretamente veladas. 

Este é um dos caminhos da Providência! Esconder pérolas preciosas em campos desvalorizados, a fim de que somente os puros e mais ousados possam encontrá-las: oculta em fatos, à primeira vista ordinários, verdadeiros tesouros jamais concebíveis em toda sua riqueza. 

De fato, é exatamente assim que se dá nas coisas de Deus: entrando, pelas brechas da vida, nos mais recônditos cantos da alma humana, acende ali um lume de verdade! Talvez para aquecer-se em um lugar mórbido e sombrio, ausente da graça... E vai, pouco a pouco, fixando aqui e acolá pequenas tochas de virtudes nos corredores escuros, secretamente interiores, inacessíveis aos outros mortais. Objetiva fazer com que o deserto de infelicidade ceda lugar a um vergel estupendo, povoado de maravilhas. 

O homem, mesmo em pecado, é sempre “desejo”. Perante a realidade mística que atua em sua alma, torna-se lhe impossível a total indiferença. Ainda que ao final da vida opte pelo absurdo de negar o Deus que o buscava em sua alma, jamais poderá negar esta realidade não poucas vezes lancinante. Neste misterioso processo de buscas e encontros entre Deus e o homem a novidade está sempre presente: sim, o Pai Celeste a todo tempo surpreende a alma humana. Isso para não ocorrer que “saciado o apetite, calce aos pés o favo de mel.”[ix]Desejando e saciando-se ininterruptamente o homem é sempre busca e gozo num Deus imenso. Aqueles que se deixam seduzir pelos encantos divinos, muitas vezes, sem o perceber, alcançam a graça de uma oração constante, como referida por São Paulo em uma de suas cartas.[x] Esta verdade não poderia passar despercebida ao Santo Bispo de Hipona (354-430) que em sua vida de mortificações e penitências escrevera “O teu próprio desejo é a tua Oração: e o contínuo desejo é uma constante oração.”[xi]

Voltemos, entretanto, ao foco inicial de nossa reflexão. Após havermos rapidamente percebido a confusão dos que encontraram a sagrada família em Belém, a sublime realidade escondida por detrás da pobreza que envolveu a vinda do Messias, e cogitado, mesmo que modestamente, sobre o mistério da ação Divina, detenhamo-nos num ponto de particular luminosidade, antes de encerrarmos nossa singela meditação.

Por que quis o rei dos reis nascer exatamente num estábulo, numa gruta? Por quê? “Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos”.[xii] Nos abismos da sabedoria divina, quanto mais se lançam os homens mais profundos eles ficam. Poderia o Pai Celestial haver preparado ao Seu filho unigênito ao menos uma casa minúscula, humilde? Sim! Poderia; mas, não o fez. À gruta sombria, marcada pela feiura, caberia prefigurar mui acertadamente as almas as quais o menino Deus fora enviado. A gruta suja, fétida, desconfortável, em meio à noite, povoada de animais... eis uma imagem gritante da alma humana decaída após o Pecado Original. Ei-la prefigurada aí, agravada por tantas faltas cotidianas e povoada por vícios, traumas, angústias e tantos outros sofrimentos. Ali quis encontrar abrigo o Salvador, porque, de fato, são os doentes que necessitam do médico.[xiii]

A Virgem Maria distinguia-se entre os seres humanos qual lírio de pureza entre os espinhos.[xiv] Por isso, torna-se compreensível que o Verbo Encarnado viesse primeiramente a ela em seu seio castíssimo. Cumpria-se assim de algum modo a justiça. [xv] Enterrava, deste modo, o antigo ato adâmico que colhera o fruto da desobediência daquela que era o extremo oposto da Virgem Mãe de Deus. Pudemos vislumbrar assim algo do que intentara o Divino Redentor antes mesmo de vir às grutas fétidas e infrutíferas das almas restantes.

Eis aqui, caro leitor, um dos motivos sublimes de o Bem-amado haver decido antes de tudo ao dulcíssimo jardim de sua alma virginal e imaculada; aos canteiros perfumados de suas virtudes elevadíssimas. Com este ato singular, exaltava, primeiramente, a nova Eva, já que a antiga mulher havia tido a primazia entre os seres humanos, porém no tocante ao castigo reparador. Além do que - reconheçamos - o novo Adão desejava colher os frutos das fidelidades marianas...

Não exageramos neste texto o triste estado das criaturas que jazem no pecado. Santa Teresa D’ávila (1515-1582) escrevera no mesmo sentido: “Não há trevas mais densas, nem coisa mais escura e negra: a tudo excede a sua escuridão[xvi]. A Mãe de Deus era toda de seu filho e Ele todo dela! Naquela alma, qual jardim, Ele apascentava entre lírios... Enquanto isso, nas grutas brumosas de nossas almas pecadoras Ele deve lutar contra os animais indômitos de nossos vícios e más inclinações. Portanto, repitamos sem receios: a gruta de Belém é, nesta perspectiva, a prefiguração das almas pecadoras que, apesar de suas limitações, abrem-se gradativamente ao Verbo Encarnado que nos vem pelas mãos maternais de Maria Santíssima.

Há nestas moradas interiores, graças ocultas; graças que germinam quase que imperceptivelmente, mas que ali estão, serpenteando, predispondo seu hospedeiro ao lance súbito do amor divino. É bem verdade, o Senhor abusa de nossa ingenuidade, seduzindo-nos. Usa de força para conosco, dominando-nos. É realmente uma luta desigual...[xvii]

Ao reler o que escrevemos acima, parece-nos ouvir uma oração silenciosa da rainha celeste após seu “Fiat”. Perante ela, absorto em profunda veneração, encontra-se o anjo Gabriel, humildemente ajoelhado a reconhecer a grandeza daquela cujo excelso esplendor arrebata os próprios seres angelicais. Então, no silêncio de sua alma, a Virgem dá-nos a sublime impressão de exalar estas palavras: “Entre em Seu jardim meu bem amado; prove-lhe os frutos deliciosos.”[xviii]

Finalmente, peçamos a Nosso Senhor que nos seja possível, ao menos neste Natal, à imagem de sua Mãe, apresentarmo-nos quais jardins lacrados, com frutos e flores de virtudes; a fim de que possa dizer-se de nós ao menos sob algum aspecto o que fora escrito pelo Divino Espírito nas Sagradas Escrituras:

“És um Jardim fechado (...) uma fonte selada. (...) És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano. Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu Jardim para que se espalhem os meus perfumes. (...) Entro no meu jardim (...) colho a minha mirra e o meu bálsamo, como o meu favo com o meu mel, e bebo o meu vinho com o meu leite. (...) O meu bem amado desceu aos canteiros perfumados, para apascentar em meu jardim e colher os lírios. (...) Ó tu que habitas nos jardins, faze-me ouvir a tua voz.” [xix]

Cremos haver nos estendido por demais nesta reflexão. No entanto, ao depararmos com o tema do Natal é quase impossível não nos encantarmos com tantos e tantos pontos de reflexão que pululam ante nossos olhos. Fixemo-nos portanto num último ponto final, o
mais importante: o divino infante deitado em sua manjedoura: Oh, Senhor! Meu céu, meu tudo! Tens sono? Sim, bem sei que tens... Estás cansado. Dorme em paz, dorme enquanto velo com a Virgem teu sono. Descansa de tantos crimes, tantas ofensas, que povoam o mundo. Tu que foste tão agravado, humilhado, esquecido, desprezado. Ninguém faz caso de tuas palavras, das tantas chagas que te cobrem o corpo crucificado. É com dor que reconheço: sois um Rei abandonado... Dorme meu Senhor, dorme meu menino, dorme. Ao menos neste natal, dorme! Mãe - digo-o baixinho, quase sussurrando - enquanto acaricias a fronte perfumada de teu Filho: peça por nós. Temos medo Senhora. Enquanto Ele dorme o mar está revolto. Seguramos dum lado, ferimo-nos de outro, as ondas avançam impiedosas sobre nós. Ai meu Deus! Oh, meu amor! Os homens nos abandonaram também. E quantos caem...quantos! Sorrindo enquanto afogam... É gritando, entre soluços e lágrimas, que suplico: Salva-nos!!! Salva-nos enquanto dormes ...

“...Jesús dormía, como de costumbre.(...) Tal vez no se despierte hasta mi gran retiro de la eternidad; pero esto, en lugar de entristecerme, me causa un contento grándísimo...”[xx] (Santa Teresinha de Lisieux).


MARIA SEMPRE!


[i] 1Reis 10,18
[ii] Mateus 2,2
[iii] Romanos 11,33-34
[iv] Lucas 2,11
[v] Lucas 2,16
[vi] GRACIAM,Baltasar.A arte da prudência.Trad. Davina Moscoso de Araujo.Coleção Auto- Estima. Rio de Janeiro, Sextante, 2006,93p
[vii] Afirmação em sentido poético utilizada por Michel Quoist para mostrar a grandeza da Virgem Maria: QUOIST, M. Poemas para rezar. trad. Lucas Moreira Alvez.25 Edição. São Paulo , Livraria Duas Cidades, 1970 206 p.
[viii] Cântico dos cânticos 7,7
[ix] Provérbios 27,7
[x] 1Tessalonicenses 5,17. “ Orai sem cessar.”
[xi] João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona. Documentos pontifícios. N.210.Petrópolis, Vozes, 1986.pg.37
[xii] Sabedoria 9,16
[xiii] Mateus 9,12
[xiv] Cântico dos cânticos 2,2
[xv] Cântico dos cânticos 6,2
[xvi] DE JESUS, Santa Teresa. Castelo interior ou Moradas. Trad. Carmelitas descalças do convento Santa Teresa. 3 Edição. Edições Paulinas, Rio de Janeiro,1984,pg.26
[xvii] Jeremias 20,7
[xviii] Cântico dos Cânticos 4,16
[xix] Trechos do livro Cânticos dos cânticos retirados dos capítulos IV – VIII. Santo Ambrósio de Milão, falando sobre este livro Bíblico escrevera: “Queres aplicar isso a Cristo? Nada mais agradável . Queres aplicar à tua alma? Nada mais doce.” ( Coleção Patrística. Número 5. Ambrósio de Milão. Tradução: Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva. São Paulo, Paulus, 1996;pg .62 )
[xx] LISIEUX, Teresa de. Historia de un alma, manuscritos autobiográficos. Trad. Setién de Jesús María O.C.D. Colección Teresita. Segunda edição. Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1978;pg.217

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COMO TRATAR COM OS SUPERIORES?

Paulo III recebe as Constituições (Santuário de Loyola, Espanha)
“Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.”

“A experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; 
e inclusive elas mudam com o tempo.”

Nessa carta Santo Inácio escreve aos Jesuítas sobre o modo de representar aos superiores quando os subordinados achavam ser maior glória de Deus algo diferente do ordenado pelos superiores: tudo em ordem à perfeição da obediência. Poderemos observar como em tudo Inácio de Loyola conduz à humildade, inclusive no modo de os subordinados falar aos Superiores. O santo fundador experimentava desgosto com aqueles que vinham a ele com ideias formadas, sem a devida indiferença. Santo Inácio os chamava de modo aborrecido: “Decretistas”.

MODO DE TRATAR OU NEGOCIAR COM QUALQUER SUPERIOR
(Roma, 29 de Maio de 1555)

- Quem for tratar com algum Superior leve as coisas bem mastigadas e estudadas pessoalmente ou consultadas com outros, segundo forem de maior ou menor importância. Contudo, nas coisas mínimas ou de muita urgência, se não tem tempo para olhar e conferir, deixa-se à sua boa discrição se deverá ou não representá-las ao Superior sem tê-las consultado ou pensado muito.

- Assim assimiladas e bem pensadas, apresente-as dizendo: estudei este ponto pessoalmente, ou com outros, segundo for o caso; e pensei ou consideramos se seria bom assim ou assim. Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.

- Uma vez colocadas assim as coisas, caberá ao Superior decidir ou esperar algum tempo para pensá-las, ou remetê-las àquele ou àqueles que as estudaram, ou nomear a outros para que as estudem ou decidam, segundo a coisa for mais ou menos importante ou difícil.

- Se à decisão do Superior ou àquilo que ele disser, replicar algo que lhe parecer bem, uma vez que o superior tornar a dar a sua decisão, não replique mais nem dê outras razões por enquanto.

- Depois que o Superior determinou uma coisa, se aquele que trata com ele sentir ou pensar com algum fundamento que seria melhor outra coisa, embora suspenda o sentir por enquanto, depois de três ou quatro horas ou no dia seguinte pode representar ao Superior se seria bom isto ou aquilo, conservando sempre tal modo de falar e tais palavras que não haja nem pareça haver nenhuma dissenção ou desacordo e calando diante do que for determinado naquela hora.

- Contudo, embora a coisa tenha sido já decidida uma e outra vez, depois de um mês ou mais tempo pode representar de novo o que sentir e achar da ordem dada; porque a experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; e inclusive elas mudam com o tempo.

- Além disso, quem trata deve adaptar-se às disposições e qualidades naturais do Superior, falando claro e com voz inteligível e nos momentos oportunos, na medida do possível...” (Suprimimos o restante desta instrução contida na carta de Santo Inácio, pois tratam de normas administrativas sobre correspondência)


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo: Edições               Loyola, 1990; p.137-138


MARIA SEMPRE!