segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

CARNAVAL: NOVA CRUCIFICAÇÃO


Por João S. de O. Jr 

A semana mal terminou e já se fala tanto no malfadado Carnaval, na mídia, nas ruas, nas músicas. Mas não é uma festa popular brasileira? Não, é uma festa pagã e em prol do paganismo. Não que esperaríamos coisa diferente do mundão, só que, "se calarmos, as pedras falarão". Infelizmente, é um tempo de pecados e ofensas contra Nosso Senhor, e o pior, sob aspecto de "normalidade" numa suposta "alegria" sem causa, tudo pela satifação da carne, como se nos outros dias já não sofressemos de natureza corrompida pelo Pecado Original. Não julgamos que todas as pessoas que vão para o carnaval, o façam por malícia conscientemente. Mas é inegavel o quão ofensivo para as almas é este tempo de embriagues coletiva. Pedimos que quem for fazer um Retiro Espiritual, não deixe de fazer ou ofertar uma oração em desagravo ao Nosso Senhor por tantos ultrajes e indiferenças dos homens. 



Tendo em vista que muitas pessoas - entre eles, vários cristãos - usam dos dias de carnaval como pretexto para darem vazão à prática de uma infinidade de pecados, achamos por bem publicarmos aqui uma pequena coletânea sobre este tempo nefasto, tirada de relatos e escritos da vida de santos e de pessoas piedosas. Intentamos assim levar os verdadeiros católicos a se dedicarem de maneira especial a nesses dias, reparar de alguma forma as ofensas cometidas contra Deus, que já está por demais ofendido pelos pecados do mundo. Que seja para nós o tempo do carnaval um período de oração e sacrifício. E que usemos todo o nosso tempo, ainda que dispendido em ocupações que não sejam propriamente a oração, em oferecermo-nos -juntamente com o que temos, somos e fazemos -, em reparação pela conversão dos pecadores.
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“Numa outra vez, no tempo de carnaval, apresentou-me (Jesus), após a santa comunhão, sob a forma de Ecce Homo, carregando a cruz, todo coberto de chagas e ferimentos. O Sangue adorável corria de toda parte, dizendo com voz dolorosamente triste: Não haverá ninguém que tenha piedade de mim e queira compadecer-se e tomar parte na minha dor no lastimoso estado em que me põem os pecadores, sobretudo, agora?” (Santa Margarida Maria Alacoque, Escritos Espirituais). 

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São Francisco de Sales dizia: “O carnaval: tempo de minhas dores e aflições”. 

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São Vicente Ferrer dizia: “O carnaval é um tempo infelicíssimo, no qual os cristãos cometem pecados sobre pecados, e correm à rédea solta para a perdição”. 

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Santa Catarina de Sena, referindo-se ao carnaval, exclamava entre soluços: “Oh! Que tempo diabólico!" 

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Santo Afonso Maria de Ligório escreve: “Não é sem razão mística que a Igreja propõe hoje à nossa meditação, Jesus Cristo predizendo a sua dolorosa Paixão. Deseja a nossa boa Mãe que nós, seus filhos, nos unamos a ela na compaixão de seu divino Esposo, e o consolemos com os nossos obséquios; porquanto, os pecadores, nestes dias mais do que em outros tempos, lhe renovam os ultrajes descritos no Evangelho. Nestes tristes dias os cristãos, e quiçá entre eles alguns dos mais favorecidos, trairão, como Judas, o seu divino Mestre e o entregarão nas mãos do demônio. Eles o trairão, já não às ocultas, senão nas praças e vias públicas, fazendo ostentação de sua traição! Eles o trairão, não por trinta dinheiros, mas por coisas mais vis ainda: pela satisfação de uma paixão, por um torpe prazer e por um divertimento momentâneo. Uma das baixezas mais infames que Jesus Cristo sofreu em sua Paixão, foi que os soldados lhe vendaram os olhos e, como se ele nada visse, o cobriram de escarros, e lhe deram bofetadas, dizendo: Profetiza agora, Cristo, quem te bateu? Ah, meu Senhor! Quantas vezes esses mesmos ignominiosos tormentos não Vos são de novo infligidos nestes dias de extravagância diabólica? Pessoas que se cobrem o rosto com uma máscara, como se Deus assim não pudesse reconhecê-las, não têm vergonha de vomitar em qualquer parte palavras obscenas, cantigas licenciosas, até blasfêmias execráveis contra o Santo Nome de Deus. Sim, pois se, segundo a palavra do Apóstolo, cada pecado é uma renovação da crucifixão do Filho de Deus. Nestes dias Jesus será crucificado centenas e milhares de vezes” (Meditações). 



São Pedro Claver e o carnaval 
Um oficial espanhol viu um dia São Pedro Claver com um grande saco às costas. 
— Padre, aonde vai com esse saco? 

— Vou fazer carnaval; pois não é tempo de folgança? 

O oficial quer ver o que acontece: acompanha-o. 

O Santo entra num hospital. Os doentes alvoroçam-se e fazem-lhe festa; muitos o rodeiam, porque o Santo, passando com eles uma hora alegre, lhes reparte presentes e regalos até esvaziar completamente o saco. 

— E agora? – pergunta o oficial. 

— Agora venha comigo; vamos à igreja rezar por esses infelizes que, lá fora, julgam que têm o direito de ofender a Deus livremente por ser tempo de carnaval. 

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Santo Afonso Maria de Ligório e o carnaval 

“ Jesus Cristo, (...) especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuria e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais suscetível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas. 

É por isso que os santos, a fim de desagravarem o Senhor de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo do carnaval, Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso a fim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Néri convocava o povo para visitar com ele os santuários e realizar exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas, que se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente. 

Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus Sacramentado ou bem recolhido em tua casa, aos pés de Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas. 

O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e fazer-lhe companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas suas almas prediletas!” (Meditações).


quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

INFORMATIVO SSVM

Apresentamos abaixo uma edição do "INFORMATIVO SSVM". Esta produção visa divulgar alguns dos diversos trabalhos e projetos de apostolado da Sociedade da Santíssima Virgem Maria - SSVM, e chamar atenção das pessoas para o bem que podemos fazer quando temos como fim último a salvação das almas e a Glória de Deus. Este "Informativo" é periodicamente enviado aos domicílios dos amigos e benfeitores. E é agora disponibilizado à todos neste espaço. Boa Leitura!
MARIA SEMPRE!
 



quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

COMPÊNDIO "VINDE A MIM TODOS" (versão digital)


Neste dia 29 de dezembro, nascimento para o Céu da Ir. Josefa Menéndez, este blog disponibiliza gratuitamente para seus leitores o download do arquivo do Compêndio "Vinde a Mim Todos"- Resumo da obra "Apelo ao Amor" de autoria da referida religiosa.
"Apelo ao Amor" é o livro das revelações do Coração de Jesus à Irmã Josefa Menéndez, religiosa da Sociedade do Sagrado Coração de Jesus.Com aprovação eclesiástica de Pio XII, a obra é repleta de terníssimas mensagens do Coração de Cristo, convidando toda a humanidade a se entregar aos seus apelos de conversão e confiança na divina misericórdia.

A versão impressa ainda se encontra disponível, e caso queira adquirir basta entrar em contato conosco:
 catolicafidei@gmail.com.

MARIA SEMPRE!


domingo, 25 de dezembro de 2016

ENTRE JARDINS E GRUTAS SOMBRIAS


Por Prof. Pedro M. da Cruz

Um rei extraordinário em seu trono de marfim revestido de ouro fino,[i]cercado por milhares de cavaleiros, servido em taças do mais nobre metal! Um dominador supremo resguardado em seu palácio de cedro e cipreste maravilhosamente combinado com o mais límpido cristal! Banquetes, festas, cânticos ... Assim imaginavam - iludidos em sua ignorância e orgulho - muitos daqueles que aguardavam o “Rei dos Judeus”[ii]


Entretanto, quão impenetráveis são os juízos do Altíssimo e inexploráveis os Seus caminhos. Quem pode compreender os pensamentos de Deus?![iii] Indo à procura do Salvador, chamado, mesmo por anjos, “Senhor”[iv], o que encontraram os pastores? Maria, José e um menino deitado num cocho onde serviam comida aos animais[v]

Que Mistério desconcertante! Uma criança pobre, envolta em faixas numa gruta escura e suja, rodeada por animais, velada pelo olhar virginal da mãe - mas, que mãe!- e protegida pela virtude do pai – e, que pai! - tão justo e casto! “O mistério por seu próprio segredo desperta veneração.”[vi]

O filho eterno descera dos céus e deste não sentira saudades, pois sua Mãe, com sublimes encantos, compensava esplendores celestiais[vii]. Em Maria, aquela virgindade, pureza e graça sobrenaturais propagavam uma luz tão radiosa e imponderável, que somente Nosso Senhor era capaz de abarcá-la em sua totalidade. Ela era aos seus olhos, e numa medida só a Ele perceptível, seu amor, como também, seu jardim de delícias toda bela e graciosa[viii].

Temos ante os olhos duas realidades tão verdadeiras quanto paradoxais: uma exterior e natural, ao alcance de todo e qualquer observador; outra, por sua vez, interior e mística, da qual são capazes somente os que têm um coração dilatado pela graça. O olhar superficial pararia nas chamadas injustiças, mesquinharias, loucuras e fracassos de Belém. Todavia, aos olhares profundos e místicos, descortina-se imenso oceano de infinitas torrentes da sabedoria divina. Ali se encontram esplendor, grandeza e glória: realidades espirituais secretamente veladas. 

Este é um dos caminhos da Providência! Esconder pérolas preciosas em campos desvalorizados, a fim de que somente os puros e mais ousados possam encontrá-las: oculta em fatos, à primeira vista ordinários, verdadeiros tesouros jamais concebíveis em toda sua riqueza. 

De fato, é exatamente assim que se dá nas coisas de Deus: entrando, pelas brechas da vida, nos mais recônditos cantos da alma humana, acende ali um lume de verdade! Talvez para aquecer-se em um lugar mórbido e sombrio, ausente da graça... E vai, pouco a pouco, fixando aqui e acolá pequenas tochas de virtudes nos corredores escuros, secretamente interiores, inacessíveis aos outros mortais. Objetiva fazer com que o deserto de infelicidade ceda lugar a um vergel estupendo, povoado de maravilhas. 

O homem, mesmo em pecado, é sempre “desejo”. Perante a realidade mística que atua em sua alma, torna-se lhe impossível a total indiferença. Ainda que ao final da vida opte pelo absurdo de negar o Deus que o buscava em sua alma, jamais poderá negar esta realidade não poucas vezes lancinante. Neste misterioso processo de buscas e encontros entre Deus e o homem a novidade está sempre presente: sim, o Pai Celeste a todo tempo surpreende a alma humana. Isso para não ocorrer que “saciado o apetite, calce aos pés o favo de mel.”[ix]Desejando e saciando-se ininterruptamente o homem é sempre busca e gozo num Deus imenso. Aqueles que se deixam seduzir pelos encantos divinos, muitas vezes, sem o perceber, alcançam a graça de uma oração constante, como referida por São Paulo em uma de suas cartas.[x] Esta verdade não poderia passar despercebida ao Santo Bispo de Hipona (354-430) que em sua vida de mortificações e penitências escrevera “O teu próprio desejo é a tua Oração: e o contínuo desejo é uma constante oração.”[xi]

Voltemos, entretanto, ao foco inicial de nossa reflexão. Após havermos rapidamente percebido a confusão dos que encontraram a sagrada família em Belém, a sublime realidade escondida por detrás da pobreza que envolveu a vinda do Messias, e cogitado, mesmo que modestamente, sobre o mistério da ação Divina, detenhamo-nos num ponto de particular luminosidade, antes de encerrarmos nossa singela meditação.

Por que quis o rei dos reis nascer exatamente num estábulo, numa gruta? Por quê? “Mal podemos conhecer o que há na terra, e com muito custo compreendemos o que está ao alcance de nossas mãos”.[xii] Nos abismos da sabedoria divina, quanto mais se lançam os homens mais profundos eles ficam. Poderia o Pai Celestial haver preparado ao Seu filho unigênito ao menos uma casa minúscula, humilde? Sim! Poderia; mas, não o fez. À gruta sombria, marcada pela feiura, caberia prefigurar mui acertadamente as almas as quais o menino Deus fora enviado. A gruta suja, fétida, desconfortável, em meio à noite, povoada de animais... eis uma imagem gritante da alma humana decaída após o Pecado Original. Ei-la prefigurada aí, agravada por tantas faltas cotidianas e povoada por vícios, traumas, angústias e tantos outros sofrimentos. Ali quis encontrar abrigo o Salvador, porque, de fato, são os doentes que necessitam do médico.[xiii]

A Virgem Maria distinguia-se entre os seres humanos qual lírio de pureza entre os espinhos.[xiv] Por isso, torna-se compreensível que o Verbo Encarnado viesse primeiramente a ela em seu seio castíssimo. Cumpria-se assim de algum modo a justiça. [xv] Enterrava, deste modo, o antigo ato adâmico que colhera o fruto da desobediência daquela que era o extremo oposto da Virgem Mãe de Deus. Pudemos vislumbrar assim algo do que intentara o Divino Redentor antes mesmo de vir às grutas fétidas e infrutíferas das almas restantes.

Eis aqui, caro leitor, um dos motivos sublimes de o Bem-amado haver decido antes de tudo ao dulcíssimo jardim de sua alma virginal e imaculada; aos canteiros perfumados de suas virtudes elevadíssimas. Com este ato singular, exaltava, primeiramente, a nova Eva, já que a antiga mulher havia tido a primazia entre os seres humanos, porém no tocante ao castigo reparador. Além do que - reconheçamos - o novo Adão desejava colher os frutos das fidelidades marianas...

Não exageramos neste texto o triste estado das criaturas que jazem no pecado. Santa Teresa D’ávila (1515-1582) escrevera no mesmo sentido: “Não há trevas mais densas, nem coisa mais escura e negra: a tudo excede a sua escuridão[xvi]. A Mãe de Deus era toda de seu filho e Ele todo dela! Naquela alma, qual jardim, Ele apascentava entre lírios... Enquanto isso, nas grutas brumosas de nossas almas pecadoras Ele deve lutar contra os animais indômitos de nossos vícios e más inclinações. Portanto, repitamos sem receios: a gruta de Belém é, nesta perspectiva, a prefiguração das almas pecadoras que, apesar de suas limitações, abrem-se gradativamente ao Verbo Encarnado que nos vem pelas mãos maternais de Maria Santíssima.

Há nestas moradas interiores, graças ocultas; graças que germinam quase que imperceptivelmente, mas que ali estão, serpenteando, predispondo seu hospedeiro ao lance súbito do amor divino. É bem verdade, o Senhor abusa de nossa ingenuidade, seduzindo-nos. Usa de força para conosco, dominando-nos. É realmente uma luta desigual...[xvii]

Ao reler o que escrevemos acima, parece-nos ouvir uma oração silenciosa da rainha celeste após seu “Fiat”. Perante ela, absorto em profunda veneração, encontra-se o anjo Gabriel, humildemente ajoelhado a reconhecer a grandeza daquela cujo excelso esplendor arrebata os próprios seres angelicais. Então, no silêncio de sua alma, a Virgem dá-nos a sublime impressão de exalar estas palavras: “Entre em Seu jardim meu bem amado; prove-lhe os frutos deliciosos.”[xviii]

Finalmente, peçamos a Nosso Senhor que nos seja possível, ao menos neste Natal, à imagem de sua Mãe, apresentarmo-nos quais jardins lacrados, com frutos e flores de virtudes; a fim de que possa dizer-se de nós ao menos sob algum aspecto o que fora escrito pelo Divino Espírito nas Sagradas Escrituras:

“És um Jardim fechado (...) uma fonte selada. (...) És a fonte de meu jardim, uma fonte de água viva, um riacho que corre do Líbano. Levanta-te, vento do norte, vem tu, vento do sul. Sopra no meu Jardim para que se espalhem os meus perfumes. (...) Entro no meu jardim (...) colho a minha mirra e o meu bálsamo, como o meu favo com o meu mel, e bebo o meu vinho com o meu leite. (...) O meu bem amado desceu aos canteiros perfumados, para apascentar em meu jardim e colher os lírios. (...) Ó tu que habitas nos jardins, faze-me ouvir a tua voz.” [xix]

Cremos haver nos estendido por demais nesta reflexão. No entanto, ao depararmos com o tema do Natal é quase impossível não nos encantarmos com tantos e tantos pontos de reflexão que pululam ante nossos olhos. Fixemo-nos portanto num último ponto final, o
mais importante: o divino infante deitado em sua manjedoura: Oh, Senhor! Meu céu, meu tudo! Tens sono? Sim, bem sei que tens... Estás cansado. Dorme em paz, dorme enquanto velo com a Virgem teu sono. Descansa de tantos crimes, tantas ofensas, que povoam o mundo. Tu que foste tão agravado, humilhado, esquecido, desprezado. Ninguém faz caso de tuas palavras, das tantas chagas que te cobrem o corpo crucificado. É com dor que reconheço: sois um Rei abandonado... Dorme meu Senhor, dorme meu menino, dorme. Ao menos neste natal, dorme! Mãe - digo-o baixinho, quase sussurrando - enquanto acaricias a fronte perfumada de teu Filho: peça por nós. Temos medo Senhora. Enquanto Ele dorme o mar está revolto. Seguramos dum lado, ferimo-nos de outro, as ondas avançam impiedosas sobre nós. Ai meu Deus! Oh, meu amor! Os homens nos abandonaram também. E quantos caem...quantos! Sorrindo enquanto afogam... É gritando, entre soluços e lágrimas, que suplico: Salva-nos!!! Salva-nos enquanto dormes ...

“...Jesús dormía, como de costumbre.(...) Tal vez no se despierte hasta mi gran retiro de la eternidad; pero esto, en lugar de entristecerme, me causa un contento grándísimo...”[xx] (Santa Teresinha de Lisieux).


MARIA SEMPRE!


[i] 1Reis 10,18
[ii] Mateus 2,2
[iii] Romanos 11,33-34
[iv] Lucas 2,11
[v] Lucas 2,16
[vi] GRACIAM,Baltasar.A arte da prudência.Trad. Davina Moscoso de Araujo.Coleção Auto- Estima. Rio de Janeiro, Sextante, 2006,93p
[vii] Afirmação em sentido poético utilizada por Michel Quoist para mostrar a grandeza da Virgem Maria: QUOIST, M. Poemas para rezar. trad. Lucas Moreira Alvez.25 Edição. São Paulo , Livraria Duas Cidades, 1970 206 p.
[viii] Cântico dos cânticos 7,7
[ix] Provérbios 27,7
[x] 1Tessalonicenses 5,17. “ Orai sem cessar.”
[xi] João Paulo II. Carta Apostólica sobre Santo Agostinho de Hipona. Documentos pontifícios. N.210.Petrópolis, Vozes, 1986.pg.37
[xii] Sabedoria 9,16
[xiii] Mateus 9,12
[xiv] Cântico dos cânticos 2,2
[xv] Cântico dos cânticos 6,2
[xvi] DE JESUS, Santa Teresa. Castelo interior ou Moradas. Trad. Carmelitas descalças do convento Santa Teresa. 3 Edição. Edições Paulinas, Rio de Janeiro,1984,pg.26
[xvii] Jeremias 20,7
[xviii] Cântico dos Cânticos 4,16
[xix] Trechos do livro Cânticos dos cânticos retirados dos capítulos IV – VIII. Santo Ambrósio de Milão, falando sobre este livro Bíblico escrevera: “Queres aplicar isso a Cristo? Nada mais agradável . Queres aplicar à tua alma? Nada mais doce.” ( Coleção Patrística. Número 5. Ambrósio de Milão. Tradução: Célia Mariana Franchi Fernandes da Silva. São Paulo, Paulus, 1996;pg .62 )
[xx] LISIEUX, Teresa de. Historia de un alma, manuscritos autobiográficos. Trad. Setién de Jesús María O.C.D. Colección Teresita. Segunda edição. Editorial Monte Carmelo, Burgos, 1978;pg.217

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COMO TRATAR COM OS SUPERIORES?

Paulo III recebe as Constituições (Santuário de Loyola, Espanha)
“Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.”

“A experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; 
e inclusive elas mudam com o tempo.”

Nessa carta Santo Inácio escreve aos Jesuítas sobre o modo de representar aos superiores quando os subordinados achavam ser maior glória de Deus algo diferente do ordenado pelos superiores: tudo em ordem à perfeição da obediência. Poderemos observar como em tudo Inácio de Loyola conduz à humildade, inclusive no modo de os subordinados falar aos Superiores. O santo fundador experimentava desgosto com aqueles que vinham a ele com ideias formadas, sem a devida indiferença. Santo Inácio os chamava de modo aborrecido: “Decretistas”.

MODO DE TRATAR OU NEGOCIAR COM QUALQUER SUPERIOR
(Roma, 29 de Maio de 1555)

- Quem for tratar com algum Superior leve as coisas bem mastigadas e estudadas pessoalmente ou consultadas com outros, segundo forem de maior ou menor importância. Contudo, nas coisas mínimas ou de muita urgência, se não tem tempo para olhar e conferir, deixa-se à sua boa discrição se deverá ou não representá-las ao Superior sem tê-las consultado ou pensado muito.

- Assim assimiladas e bem pensadas, apresente-as dizendo: estudei este ponto pessoalmente, ou com outros, segundo for o caso; e pensei ou consideramos se seria bom assim ou assim. Nunca diga ao Superior, tratando com ele: isto ou aquilo é ou será bom assim; mas diga no condicional, se é ou se será.

- Uma vez colocadas assim as coisas, caberá ao Superior decidir ou esperar algum tempo para pensá-las, ou remetê-las àquele ou àqueles que as estudaram, ou nomear a outros para que as estudem ou decidam, segundo a coisa for mais ou menos importante ou difícil.

- Se à decisão do Superior ou àquilo que ele disser, replicar algo que lhe parecer bem, uma vez que o superior tornar a dar a sua decisão, não replique mais nem dê outras razões por enquanto.

- Depois que o Superior determinou uma coisa, se aquele que trata com ele sentir ou pensar com algum fundamento que seria melhor outra coisa, embora suspenda o sentir por enquanto, depois de três ou quatro horas ou no dia seguinte pode representar ao Superior se seria bom isto ou aquilo, conservando sempre tal modo de falar e tais palavras que não haja nem pareça haver nenhuma dissenção ou desacordo e calando diante do que for determinado naquela hora.

- Contudo, embora a coisa tenha sido já decidida uma e outra vez, depois de um mês ou mais tempo pode representar de novo o que sentir e achar da ordem dada; porque a experiência, com o tempo, descobre muitas coisas; e inclusive elas mudam com o tempo.

- Além disso, quem trata deve adaptar-se às disposições e qualidades naturais do Superior, falando claro e com voz inteligível e nos momentos oportunos, na medida do possível...” (Suprimimos o restante desta instrução contida na carta de Santo Inácio, pois tratam de normas administrativas sobre correspondência)


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo: Edições               Loyola, 1990; p.137-138


MARIA SEMPRE!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CARTA DE S. INÁCIO: A CULPA É SUA!



“Se não muda o seu homem interior, nunca agirá bem
 e em qualquer lugar será o mesmo.” 

“Ou você será bom aí, em Ferrara, ou não será bom em nenhum Colégio.” 

“Ocupe-se em ver e chorar as suas imperfeições e não as dos outros.”

O estudante jesuíta Bartolomeu Romano, morador do Colégio de Ferrara, atribuía aos outros e ao lugar onde se encontrava seu desgosto nas práticas espirituais e nos estudos, e sem dúvida desejava mudar de casa. Santo Inácio nesta carta lhe faz ver como não depende do lugar nem dos companheiros seu desgosto. Enquanto não mude seu interior, seja onde for, se encontrará descontente. Por isso o exorta a mudar de proceder, a abrir-se ao Superior e a lutar contra suas imperfeições.


CARTA AO ESTUDANTE BARTOLOMEU ROMANO
(Roma, 26 de janeiro de 1555)

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“Caríssimo irmão Bartolomeu,
Pelas suas cartas e as dos outros, mas principalmente pelas suas, entendo o seu estado. E tanto mais me desagrada quanto mais desejo o seu bem espiritual e salvação eterna.

Está muito enganado se pensa que a causa de não conseguir aquietar-se nem dar fruto no caminho do Senhor está no lugar ou nos superiores ou nos irmãos. Isso vem de dentro de você e não de fora, isto é, da sua pouca humildade, pouca obediência, pouca oração e, enfim, pouca mortificação e pouco fervor para avançar no caminho da perfeição. Pode mudar de lugar, de superiores e de irmãos: mas se não muda o seu homem interior, nunca agirá bem e em qualquer lugar será o mesmo, até que chegue a ser humilde, obediente, devoto, mortificado no seu amor-próprio. De modo que procure esta mudança e não outra. Digo que procure mudar o homem interior e dominá-lo como servo de Deus, e não pense em nenhuma mudança externa, porque ou você será bom aí, em Ferrara, ou não será bom em nenhum Colégio. E tenho certeza disto, pois me consta em Ferrara poder ser mais ajudado que em qualquer outro lugar.
Dou-lhe um conselho: que se humilhe muito de coração ao seu Superior e lhe peça ajuda abrindo-lhe o seu coração em confissão ou como quiser e tome o remédio que lhe dará. Ocupe-se em ver e chorar as suas imperfeições e não as dos outros, procure em diante dar maior edificação e não encha, por favor, a paciência daqueles que o amam em Jesus Cristo nosso Senhor e gostariam de vê-lo bom e perfeito servo do mesmo. 

Cada mês escreva duas linhas para dizer como se encontra quanto à humildade, obediência, oração e desejo de sua perfeição; e também como vai nos estudos. Cristo nosso Senhor o guarde.”


FONTE: CARDOSO, Armando. Cartas de Santo Inácio de Loyola. Vol. II. São Paulo:                             Edições Loyola, 1990; p.135-136


MARIA SEMPRE!

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

SÃO BERNARDO E OS TEMPLÁRIOS - (II)

Bernardo replicou modestamente, mas com dignidade e energia


Segue abaixo a segunda parte do trecho do trabalho  «Em louvor da Nova Milícia», dirigido aos «Soldados do Templo» e a Hugo, seu chefe. Consta de treze capítulos além de um curto prefácio.

«Os templários compreendiam quatro classes de pessoas: os cavaleiros, que formavam a cavalaria pesada; os sargentos ou cavalaria ligeira; os lavradores, a cujo cargo se achavam as temporalidades e, os capelães que atendiam as necessidade espirituais dos seus irmãos. Constituía seu singular privilégio encontrarem-se directamente sujeitos à Santa Sé e totalmente independentes de qualquer outra autoridade eclesiástica ou civil. Semelhante favor e os bens que rapidamente se acumularam nas suas mãos, juntamente com as glórias adquiridas nos campos de batalha, provocaram considerável oposição. Não obstante, a Ordem continuou a desfrutar de exemplar prosperidade até ao começo do século catorze. Neste período, governava a França Filipe, o Belo. A cupidez era o seu pecado proeminente, e dirigiu um olhar voraz para a extensa propriedade que os templários haviam conquistado com a espada ou adquirido por doação. Necessitava de apoderar-se daquelas riquezas por meios pacíficos ou à força. Alguns membros degradados foram induzidos a acusar os seus irmãos de ofensas contra a fé e moralidade, e, apoiado nesta acusação, o monarca ordenou, no mesmo dia, 13 de Outubro de 1307, a prisão de todos os cavaleiros brancos no seu reino. Não existindo provas consistentes contra eles, foram torturados para forçá-los a confessar. Alguns pereceram sob o tormento e muitos outros proclamaram-se culpados como única forma de obterem lenitivo; mais tarde retrataram as suas confissões, o que lhes valeu serem queimados vivos, em número de cinquenta e quatro, a 12 de Maio de 1310. Tudo isto, não somente sem autorização do papa Clemente V, mas apesar da sua vigorosa oposição. Por fim, o Pontífice suspendeu os poderes dos inquisidores de Filipe e abriu um inquérito que se estendeu a todos os países cristãos. Em Portugal, Espanha, Alemanha, Itália e Chipre o carácter dos cavaleiros templários foi reabilitado triunfalmente. A parte o que se pudesse dizer aqui e ali de indivíduos isolados, a Ordem foi reconhecida inocente das acusações anteriores. Foi este o veredicto do concílio geral de Viena, em 16 de Outubro de 1311, no qual a maioria dos padres votaram pela manutenção da Ordem. No entanto, Clemente, considerando que, com tanta oposição e suspeita contra ela, a Ordem dos cavaleiros brancos, apesar de inocente, não poderia continuar a ser útil à Igreja, decretou a sua 'dissolução', não como castigo, mas como medida de prudência. 

O concílio de Troyes não foi o único nesta época ilustrado pela sabedoria de Bernardo. Assistiu também, bastante contra a sua vontade, aos de Arras, Châlons, Cambrai e Laon. As fortes medidas adoptadas por estas assembleias indicam claramente a sua influência. O concílio de Arras, efectuado em Maio de 1128, ordenou a dispersão de uma comunidade religiosa que se tornara incorrigivelmente descuidada; em Châlons, () bispo de Verdun, acusado de Simonia e má administração, foi forçado a abandonar a sua sé; em Cambrai, o abade Fulbert de_ Santo Sepulcro teve de demitir-se. O povo atribuiu estas severas determinações ao abade de Claraval como se fosse ele o único responsável. Claro que o facto excitou bastante a amargura e ressentimento daqueles que haviam sido punidos pelo
São Bernardo de Claraval (1090-1153)
concílio. Foi denunciado a Roma como entremetido oficioso, homem de ideias ambiciosas, amigo de aparecer em público. Como o papa Honório se encontrava então no seu leito de morte (faleceu a 14 de Fevereiro de 1130), o Cardeal Haimeric, chanceler da Santa Sé, enviou-lhe em nome do Sagrado Colégio uma áspera censura. A carta do cardeal não chegou até nós; todavia, podemos formar uma ideia do seu conteúdo pela resposta de Bernardo. Afigura-se-nos que a comparação do abade santo com uma rã impudente (que salta do seu lodaçal para perturbar a paz do mundo com o seu rouco coaxar) não pertence, na realidade, a Haimeric, mas ao próprio Bernardo. O chanceler certamente nunca teria pensado em empregar linguagem tão violenta para se dirigir a quem tanto estimava. A prova de que estimava o abade de Claraval está bem patente nos termos utilizados para com ele numa carta a formular uma petição a favor dos monges beneditinos de São Benigno, Dijon, no ano de 1126. "Os meus amigos conhecem perfeitamente o muito que me amais, e principiarão a invejar-me a felicidade se eu tentar conservar somente para mim todo o benefício dela resultante (escreve o santo), Os monges de Dijon são-me muito queridos; agradar-me-ia lhes permitísseis ver que o amor não é vão, tanto o vosso por mim como o meu por eles, desde que, evidentemente, não brigue com os interesses da justiça, em cujo caso seria censurável pedir coisa alguma mesmo a um amigo". Fora igualmente ao chanceler que Bernardo dedicara a sua dissertação acerca do amor de Deus, de que mais adiante falaremos. Podemos, pois, inferir, pelo menos, que a carta de censura foi elaborada polidamente; a severidade do seu tom dificilmente pode ser negada, embora expressasse menos as ideias do próprio cardeal do que as dos seus irmãos. Bernardo replicou modestamente, é certo, mas com dignidade e energia __ pois não se tratava de uma defesa própria, mas de justificar os actos de concílios provincianos, alguns dos quais haviam sido presididos pelo Cardeal Legado Mateus. 

"O quê? (exclama). Até os pobres e desprotegidos deverão encontrar oposição para salvaguarda da verdade? Nem na própria miséria haverá refúgio da inveja? Deverei lamentar-me ou alegrar-me, visto eu próprio haver conseguido inimigos ao pronunciar a verdade? Deverei dizer: falo verdade ou procedo de acordo com a verdade? Isto por vós deverá ser decidido: quem contra a prescrição da lei amaldiçoara o surdo (Lav., 19, 14) e, apesar do conselho do profeta, chamará mal ao bem e bem ao mal (Is., 5, 20)".

A Ordem desfrutou de prosperidade
 até ao começo do século XIV.
A seguir expõe as faltas de que é acusado: a deposição do bispo de Verdun, a deposição do abade Fulbert e a supressão do convento de São João. Não considera que haja merecido censura por estes actos, e isto por dois motivos: em primeiro lugar, porque os actos em questão, longe de serem culpáveis, merecem antes louvor; em segundo, porque não eram de sua autoria. "Se são meus, mereci elogios; se não o são, não mereci censuras... A recriminação imerecida preocupa-me pouco, e os louvores que não me são devidos, recuso-me a aceita-los. Não produz em mim a menor diferença a forma como julgais essas medidas das quais não Sou o autor. Por uma delas (a deposição do bispo), o povo poderá louvar, se desejar, ou censurar, se se atrever, o cardeal legado; por outra (o afastamento de Fulbert), o bispo de Reims; e pela terceira (a supressão do convento), o arcebispo de Seus juntamente com o bispo de Laon e o rei, além de outras numerosas pessoas veneráveis, que não repudiarão a responsabilidade do que foi feito... A única acusação contra mim será haver estado presente, em vez de permanecer na obscuridade do meu lar onde eu podia ser juiz, acusador e árbitro apenas para mim próprio? Não nego haver presenciado esses concílios, mas compareci sob compulsão e não de livre vontade. Se o facto desagradou aos meus amigos, foi igualmente desagradável para mim. Deus não tivesse permitido que eu seguisse para lá! Deus não permita que eu volte lá novamente! Detesto intervir em assuntos que não me dizem directamente respeito. Mas, não obstante isto, sou arrastado para eles. Meu querido senhor cardeal, não existe outra pessoa da qual eu possa razoavelmente esperar libertação desta tirania além de vós. Tendes o poder, como eu sempre soube, e a boa vontade, como ultimamente descobri. Regozija_me saber que estais desgostado com a minha intervenção em assuntos que não pertencem a monges. Mostrais aqui a vossa prudência e, igualmente, amizade por mim. Providenciai, pois, para que tanto a vossa vontade como a minha fiquem satisfeitas. Proibi que, de futuro, estas ruidosas e incomodativas rãs saiam dos seus lodaçais. Que o seu coaxar jamais torne a ser escutado nas salas de concílios ou nos palácios de reis. Que nenhuma necessidade ou autoridade tenha poder para determinar a sua interferência em contendas ou assuntos públicos de qualquer natureza. Talvez assim o vosso amigo escape à acusação de presumido. No entanto, ignoro como me posso haver exposto a ela, pois sempre constituiu minha determinação nunca abandonar o convento, excepto por assuntos da Ordem ou por solicitação de um legado da Santa se ou do meu diocesano, a nenhum dos quais posso em consciência desobedecer, a não ser por privilégio de uma autoridade superior. Se vossa eminência se dignar obter para mim esse privilégio, então desfrutarei indubitavelmente, de paz e deixarei os outros tranquilos».


Fonte:
LUDDY, Ailbe J. Bernardo de Claraval. Lisboa: Editorial Aster, 1953, p.168-171.

Primeira parte aqui.



MARIA SEMPRE!